Psiquiatra alerta para o risco de transtornos alimentares durante a pandemia

Psiquiatra alerta para o risco de transtornos alimentares durante a pandemia

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Psiquiatra alerta para o risco de transtornos alimentares durante a pandemia

A crise sanitária que se prolonga sem previsão de um fim, as mortes em decorrência do coronavírus, a perda financeira, o medo, as informações contraditórias, as frustrações… tantos dissabores que provocam ansiedade, levam à comida tão mais acessível com o isolamento social. “A pandemia tem sido para pessoas que nunca tinham vivido estresse tão grande um gatilho para o desenvolvimento de algum transtorno alimentar”, diz a médica psiquiatra Bárbara Faria Corrêa Vilela, da Clínica Mangabeiras, de Belo Horizonte.

A especialista explica que qualquer tipo de estressor tende a agravar a compulsão alimentar periódica, bulimia e anorexia nervosas. “O ficar em casa é um problema porque a pessoa está perto da cozinha, da geladeira e há mais chance de ter acesso a alimentos de forma desregrada. Os lanches se tornam comuns e para quem tem compulsão é um prato cheio, literalmente.”

Pesquisa de cientistas da Universidade de Minnesota (EUA) – feita para entender a relação de estresse, sofrimento psicológico, dificuldades financeiras e mudanças de comportamento alimentar durante a pandemia mostra um ressurgimento ou aumento considerável dos sintomas de transtorno alimentar. Dos 720 entrevistados no ano passado, 8% disseram ter comportamentos extremos de controle de peso prejudiciais à saúde.

Há os preocupados com a forma física que, segundo a psiquiatra, podem começar um processo de purgação (bulimia): exercícios físicos exacerbados, uso de laxantes e diuréticos ou vômitos provocados para compensar o excesso calórico. “No caso da anorexia, a pessoa vai comer muito pouco e ter certo orgulho da capacidade de um controle tão grande sobre o que se alimenta”, diz ela, que aponta a faixa etária mais propícia ao aparecimento dos transtornos entre o fim da adolescência e o início da vida adulta. A exceção fica por conta da compulsão que atinge com muita frequência mulheres mais velhas.

Bárbara Vilela esclarece que o que causa, normalmente, os transtornos alimentares é uma visão distorcida da importância física e do peso tão cobrado pela sociedade. “Todo mundo tem essa preocupação com o corpo, mas quem não possui transtorno vai se importar também com outras coisas – família, carreira, estudos, relação com o parceiro. O que não acontece com pessoas que têm, elas priorizam a forma física e o peso.”

Como identificar se a pessoa está com transtorno alimentar? A psiquiatra diz que é preciso verificar se ela tem mais de um episódio de ingestão aumentada de alimentos em um curto espaço de tempo. “Junto com algumas características comuns, mas não obrigatórias, como, por exemplo, preferir comer sozinha por vergonha da quantidade e também da velocidade.” Incluindo aí padrões estranhos na escolha do que vai ingerir (azeitona, bolo, doce etc). “A pessoa não planeja a refeição.” Ela lembra que, no caso da bulimia, há a purgação, e no da anorexia, a restrição alimentar.

De acordo com a médica, o diagnóstico é individualizado. “Há critérios para cada um destes transtornos, mas no geral o paciente tem muito sofrimento, coloca em risco a sua saúde”, informa. Os tratamentos vão de medicamentos – inibidores da recaptação de serotonina – à psicoterapia. “O tipo de terapia que tem mais evidências é a cognitiva comportamental.”

(Fonte: Encontro)

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