Educação financeira: o exemplo que deve ser oferecido desde cedo

Educação financeira: o exemplo que deve ser oferecido desde cedo

A educação financeira é um tema cada vez mais presente na realidade e currículo das escolas e considerado fundamental para ser trabalhado desde cedo com as crianças, para que elas cresçam sabendo desenvolver uma relação mais saudável com o dinheiro. Mas tão importante quanto trabalhar o tema dentro das escolas é conscientizar os pais para que esse seja um trabalho realizado em parceria com as famílias. Todo cidadão pode – e deve – desenvolver habilidades que melhorem sua qualidade de vida e a de seus familiares, a partir de atitudes comportamentais e de conhecimentos básicos sobre gestão de finanças pessoais. O que a educação financeira se propõe a fazer é amplificar esse trabalho de consciência nas pessoas, inclusive nas crianças.

Quando um indivíduo tem as finanças em ordem, ele toma decisões e enfrenta melhor as adversidades, como, por exemplo, o momento atual da pandemia. E isso ajuda não só na organização da vida financeira como também em aspectos pessoais e familiares. Nesse sentido, ao ensinar uma criança a lidar bem com o dinheiro desde pequena, quando adulta, ela terá maiores chances de aprender a administrar o seu salário, empreender e organizar a sua vida, sabendo comprar e poupar com consciência.

Consumidores bem-educados financeiramente demandam serviços e produtos adequados às suas necessidades, incentivam a competição e desempenham papel relevante no monitoramento do mercado, uma vez que exigem maior transparência das instituições financeiras e contribuem, dessa maneira, para a solidez e para a eficiência do sistema financeiro que tanto precisamos. Além disso, a qualidade das decisões financeiras dos indivíduos influencia toda a economia, por estar intimamente ligada a questões como os níveis de endividamento e de inadimplência das pessoas e a capacidade de investimento do país.

Por isso tudo, torna-se tão importante estabelecer, desde cedo, as bases para uma relação equilibrada com o dinheiro. E para que esse trabalho seja bem sucedido, a educação financeira deve ir ao encontro da realidade de cada indivíduo e de sua família, a importante aliada nesse aprendizado. Aprendemos muito com os acontecimentos da vida, por meio dos conhecimentos adquiridos e das experiências, assim como as ações e emoções exercem grande influência em nossas decisões financeiras. Somos dependentes de fatores fisiológicos – que podem ser alterados ou influenciados, dependendo das escolhas feitas – e de fatores psicológicos. Esses últimos são mais complexos, mostrando que a relação que os pais e familiares possuem com o dinheiro tem grande influência nas escolhas dos filhos. Se os pais se relacionam com o dinheiro de forma descontrolada e sem consciência, não podem cobrar que seus filhos sejam diferentes.

A ideia que se tem de dinheiro na vida adulta tem a ver com o modelo segundo o qual a criança foi apresentada na infância. Por isso, educar uma criança desde cedo é essencial, principalmente com exemplos e atitudes coerentes e coletivas. A criança notará a incoerência se a mãe negar um tênis novo, mas tiver 300 pares de sapatos no armário. Ou se o pai fizer um discurso negando o consumismo, mas trocar o aparelho de smartphone toda vez que surgir um novo modelo.

Outros pontos que devem ser valorizados são como ganhar dinheiro, poupar, gastar e também como doar (um preceito da ética e da responsabilidade social), assim como o valor exato que o dinheiro deve ter. É importante saber diferenciar o querer do precisar, o caro do barato. E ainda, adicionar ao contexto familiar um importante hábito: fazer a criança participar do orçamento da casa, seja na hora de consumir, economizar e poupar juntos, valendo para as contas básicas e supérfluas.

O principal objetivo de educar os filhos em relação ao dinheiro é levá-los a atingir maturidade financeira, ou seja, a capacidade de adiar desejos de agora em função de futuros benefícios. É da natureza humana querer obter satisfação imediata em todos os sentidos. A educação financeira para a criança deve ser um projeto permanente. Não existe idade certa para começar. A necessidade vai aparecer na vida de todos os pais no momento em que começam os famosos pedidos “compra isso, quero aquilo”.

Um ponto importante a ser destacado é como a relação entre pais e filhos também pode ficar prejudicada quando o consumismo passa a ser uma medida de amor. Independentemente de qual seja a renda familiar, os pais devem estabelecer e deixar muito claro para os filhos que existem limites para o consumo. Para isso, é importante que tenham clareza e tranquilidade para dizer não.

Não custa repetir: educação financeira se dá pelo exemplo. E justamente por isso é que a escola jamais conseguirá cumprir essa missão sozinha, sendo capaz de exercer seu papel educador sem o total apoio e parceria da família.

(Fonte: Correio dos Campos)

 

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