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Maria vai com as outras? Comportamento de manada pode levar à escolha ruim

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Maria vai com as outras? Comportamento de manada pode levar à escolha ruim

Você resolveu pegar seu dinheiro e fazer um investimento no banco, apesar de não entender nada do assunto. Mas deve ser uma ótima ideia, pois seu pai, sua tia e seu vizinho fizeram o mesmo antes e deu tudo certo. E aquela vez nas redes sociais, quando você leu "todo mundo" criticando o comportamento de certo artista e foi lá criticar também. Em sua cabeça está claro que essa pessoa --uma desconhecida sua -- tem um péssimo caráter. Afinal, se estão todos falando isso, deve ser verdade.

Apesar de não ter se dado conta, em ambos os casos você está seguindo o "comportamento de manada", termo usado para descrever situações em que indivíduos dentro de um grupo reagem da mesma maneira, embora não exista direção planejada. Se certo comportamento funcionou antes, é porque deve ser bom e todo mundo segue sem fazer grandes reflexões.

Antes de mais nada, é importante dizer que o "comportamento de manada" é uma característica evolutiva, que nasce com o ser humano e também outros seres. Basta lembrar que o animal que anda em grupo está mais protegido do que aquele que está sozinho.

As sardinhas costumam nadar em grupo. Ao circularem assim, o cardume parece tão grande quanto o predador que se aproxima e pode intimidá-lo, além de favorecer uma eventual escapada em caso de ataque, deixando todos os membros do grupo mais seguros. Outro exemplo são os macacos, que andam em bando para caçar suas presas. É muito mais difícil conseguirem comida se estiverem sozinhos.

A manada funciona como se fosse uma consciência coletiva, que protege. Só vai ser atacado naquele meio quem estiver velho e doente, por exemplo. No mundo animal, andar assim é uma vantagem. Apesar de a individualidade ser sempre importante, o grupo traz segurança.

É bom... Mas é ruim

Quando falamos em seres humanos, a lógica é parecida. Afinal, quem nunca circulou por aí em grupo por uma questão de segurança, para se proteger da violência nas grandes cidades, por exemplo? O problema é que, ao fazer isso, aparentemente surge em nós uma espécie de inconsciente coletivo, que nos leva a fazer coisas que normalmente não faríamos caso estivéssemos sem a proteção do grupo. Como brigar na arquibancada de um estádio de futebol, contra pessoas que nunca vimos antes na vida, por exemplo.

As redes sociais também são uma grande manada. Muitas vezes temos uma opinião até um pouco diferente do grupo dominante, mas quando percebemos todos indo por outra vertente, passamos a questionar as nossas próprias convicções. O espaço da internet também funciona como um ótimo lugar para discursos de ódio protegidos pelo anonimato.

Seguir o comportamento do grupo é errado?

Depende da situação, dizem os especialistas. Tudo vai depender de qual "manada" vamos entrar. Apesar de ter esse viés original de proteção, e não de agressividade, nosso lado individualista transformou o comportamento benéfico em algo negativo.

Acaba sendo melhor errar com muitos, do que acertar sozinho. O cérebro tem uma economia de energia quando você segue outras pessoas, e a publicidade já entendeu como funciona essa toada, influenciando o comportamento do consumidor na hora da compra.

Sabe aquele restaurante que nem é tão bom assim, mas vive lotado? "E o fato de quase todo mundo ter uma calça jeans rasgada no armário, mesmo sendo um contrassenso --se pensarmos racionalmente -- comprar um produto já danificado?", ressalta o antropólogo e palestrante Darrell Champlin.

Como sair do "modo automático"

É necessário ter alguma maturidade emocional, no sentido de ficar consciente para pensar duas vezes e não fazer algo errado quando estiver em grupo. Só que é preciso atenção dupla: apesar de termos discernimento, isso acaba se diluindo sob condições agressivas (como uma briga). "Veja o que se transformou o fato de alguém ser de direita ou esquerda no Brasil", diz Champlin.

Com isso, parar, pensar e se questionar é realmente necessário, na tentativa de entender suas motivações para tal atitude. "Será que realmente preciso de um par de sapatos extra, só porque todo mundo está comprando? Ou realmente tenho que me juntar com aquele grupo no trabalho que não gosto só para não me sentir excluído?", aconselha Licia Milena de Oliveira, especialista em psiquiatria e medicina legal pelo HC-FMUSP (Faculdade de
Medicina da Universidade de São Paulo), além de médica assistente do Instituto de Psiquiatria no HC-FMUSP e professora da Medcel.

Deibson Silva, psicanalista pós-graduando em Neuropsicologia pela FMUSP aconselha que a pessoa conte até dez antes de tomar qualquer atitude. "Afinal, comportamentos tempestivos podem causar, além de arrependimento, até um processo criminal", diz.

(Fonte:Viva Bem)

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