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Índice de consumidores com parcelas de financiamento atrasadas chega a 20%

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Índice de consumidores com parcelas de financiamento atrasadas chega a 20%

Uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) revelou que 10% dos brasileiros fizeram algum tipo de financiamento nos últimos 12 meses. O índice que mais preocupa, porém, é de que 20% dos que recorreram a essa modalidade de crédito estão com parcelas atrasadas.

Apesar do alto índice de pessoas entrevistas em todo país que afirmaram não ter feito nenhum tipo de financiamento no período de um ano (87%), entre aqueles que admitiram ter utilizado esse crédito, as razões são bem diferentes. Enquanto 43% afirmaram ter utilizado o financiamento para suprir alguma necessidade pontual ou imprevisto, outros 35% disseram que buscavam concretizar algum sonho de consumo. E há ainda aqueles que financiaram algum bem em benefício de amigo ou parente: 14%.

A pesquisa também investigou quais foram os itens mais comprados por financiamento entre os consumidores e foi nesse ponto que o sonho do carro e da casa própria se destacaram. Além de 43% terem financiado a compra de um automóvel novo nos últimos 12 meses, 17% também adquiriram uma imóvel dessa forma.

Mas um item crescente também chamou atenção dos pesquisadores: o pagamento da faculdade. 20% afirmaram estar pagando as prestações do curso de nível superior, o que revela uma tendência crescentes dos brasileiros de buscar uma especialização e investir mais na própria formação. Outras razões também foram mencionadas como: compra de móveis (17%), eletrônicos (12%), motocicleta (12%) e reforma do imóvel (11%).

A economista-chefe do SPC Brasil responsável pela pesquisa, Marcela Kawauti, porém, alerta para os perigos de se envolver numa dívida de longo prazo:
“Muitos brasileiros desejam comprar um carro zero, a casa própria ou fazer um curso superior, mas não têm condições financeiras para pagar à vista. E o financiamento viabiliza a concretização do sonho. Sem ele a maioria das pessoas não conseguiria adquirir bens de alto valor. Apesar disso, um compromisso financeiro de longo prazo como esse exige muito planejamento para garantir que a saúde financeira da família não seja prejudicada”, explica Marcela Kawauti.

Juros altos e descontrole

A pesquisa também revelou que 71% dos brasileiros realizaram algum financiamento no último ano tenham analisado as tarifas e os juros cobrandos na hora de contratar o serviço, porém 26% sequer chegaram a estudar esses custos. Desses, 14% reconhecem só ter avaliado se a parcela a ser paga cabia no orçamento, sem levar em consideração, por exemplo, se o montante final não ficava muito maior.

Além disso, 78% dos consumidores afirmaram ter verificado a real possibilidade de quitar as prestações ao longo de todo o período de financiamento, mas 16% admitiram não tê-lo feito, gerando uma preocupação e um risco muito maior no longo prazo.

Esse planejamento ou falta dele, também impacta na maneira como os consumidores percebiam e avaliavam os juros cobrados na contratação dos financiamentos. Foi nessa hora que 22% consideraram as taxas abusivas e 33% acham os valores altos, totalizando 55%, contra 30% que disseram que os valores praticados são razoáveis.

Os consumidores também foram convidados a responder sobre como administram o pagamento das parcelas e um índice de 77% afirmou que acompanha de perto os gastos com o financiamento, sendo que 30% utilizam anotações em cadernos, agenda e até na porta da geladeira para se lembrar de pagar as prestações, enquanto 24% registram as despesas em aplicativos de celular e 23% em planilhas de computador. Porém, um índice alto de 23%, quase um a cada cinco entrevistados, assumiu que não controla de forma efetiva esses pagamentos.

Endividamento e atrasos

A pesquisa também revelou que o número de financiamento dos entrevistados não é muito alto. Em média, cada consumidor afirmou ter entre um e dois financiamentos em aberto: 33% têm um, 18% possuem dois e 5% três ou mais.

Já no que diz respeito ao número de parcelas em aberto, a quantidade média é de 18 prestações, o que significa dizer que a maioria dos consumidores brasileiros endividados continuarão com pagamentos em aberto por mais um ano e meio.

A boa notícia é que 34% dos que afirmaram terem financiado algo nos últimos 12 meses também afirmaram que já não tem mais a dívida pois quitaram todas as prestações dentro do mesmo período e outros 72% estão com o parcelamento das parcelas em dia.

A má notícia, porém, é que um em cada cinco entrevistados (20%) afirmou que não só está com dívidas em aberto como está com prestações atrasadas (com uma média de duas prestações atrasadas por pessoa. É justamente essa falta de controle dos gastos que acaba resultando em inadimplência de um número significativo de consumidores que possui financiamento, aumentando os juros para outros pedidos de créditos, já que os bancários avaliam o risco de cada "empréstimo".

A pesquisa ainda mostra outras consequências para quem atrasa o pagamento das prestações, como pagamento de multas, juros sobre juros e a negativação do nome do consumidor.

Segundo o SPC, 39% afirmaram (dois em cada cinco) já ter ficado com o nome sujo por conta das dívidas atrasadas, sendo que 27% conseguiram regulariza a situação (ainda que fosse adquirindo outro financiamento) e 12% permanecem negativados.

Dívidas e consequências

Por conta dessa inadimplência e do nome sujo, dois em casa dez consumidores afirmaram ter tentado fazer algum tipo de financiamento nos últimos três meses (16%), mas 10% tiveram seu pedido negado, sobretudo aqueles das classes C, D e E. E os principais motivos estão ligados à restrição do nome em cadastros de proteção ao crédito (54%), valor do financiamento maior do que o permitido pela renda (24%) e inexistência de garantias para os credores (9%).

Entre esses consumidores que tiveram seus financiamentos negados, 30% pretendiam comprar um carro, 16% planejava adquirir um imóvel, 13% eletrônicos e 10% móveis. Por outro lado, apenas 6% dos entrevistados conseguiram aprovação de financiamento nos últimos três meses e 84% disseram não ter nem tentado contratar o serviço no período.

“Diante da situação de recessão da qual o país se recupera, os bancos e credores passaram a ser mais seletivos na hora de conceder crédito. O cenário recessivo levou ao crescimento do desemprego e impôs limites à renda disponível do consumidor, o que aumenta o risco do empréstimo. Na prática, isso implica na maior rigidez na concessão de crédito e financiamento . Ainda assim, dados do Banco Central do Brasil mostram que o saldo total de crédito no país para pessoas físicas vem se recuperando, e mostra crescimento em doze meses”, encerra a economista do SPC Brasil.

(Fonte: Economia IG)

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